Notícias do Front: Biodiversidade sob cerco I

Autor: Gabriel Costa

Figura 1 Lemure rato, creditos IUCN

Infelizmente, estamos vivendo uma crise sem precedentes na história humana. E eu não estou falando da Pandemia de Covid-19. Estamos vivendo a crise da biodiversidade: o número de extinções de espécies atualmente e o mais alto desde do evento de extinção em massa dos dinossauros, a 65 milhões de anos atrás.

E seguindo essa lógica o mais novo “update” da IUCN (União internacional para a conservação da natureza), organização que monta a lista vermelha mundial de espécies vegetais e animais ameaçadas, aponta fatos alarmantes. A situação está cada vez mais crítica em vários pontos do mundo: 31% dos Lêmures, os carismáticos primatas de Madagascar, estão a um passo da extinção. Das 107 espécies das residentes da grande ilha africana 103 estão em alguma categoria de ameaça, com 33 dessas quase extintas, especialmente devido ao desmatamento para a expansão da fronteira agrícola e para a obtenção de lenha, já que Madagascar perdeu mais de 80% de suas florestas originais.

Macaco Colobus

De modo geral os primatas (macacos, lêmures, gorilas, chimpanzés e humanos) não estão tendo vida fácil. No resto do continente africano aproximadamente 54 das 103 espécies de primatas estão em risco de extinção. Especialmente os macacos Colobus, ou macacos fidalgo, que correm grande risco por serem visados pela caça e pelo consumo de carne, muitas vezes ilegal.

Já na Europa, as más notícias vão para um animal bastante carismático: o hamster europeu. Esses pequenos roedores antes comuns por todo o continente, agora enfrentam declínios populacionais severos: sumiram de três quartos de seus antigos territórios na região de Alsace, França, desapareceram de ao menos um terço de seus antigos territórios na Alemanha e de 75% de seus territórios na Europa oriental. Isso se deve em parte a redução de suas taxas de natalidade, durante os anos 1900 as mamães hamsters davam a luz a ninhadas de até 20 bebes, hoje as ninhadas não passam de 5 a 6 filhotes. Muitas causas para isso são especuladas: aquecimento global, poluição luminosa, pesticidas. Caso a situação não se reverta esses roedores podem estar extintos em 30 anos.

Baleia Franca

Mas, não são apenas espécies terrestres que estão ameaçadas. As baleias francas do atlântico norte, agora protegidas da caça, enfrentam outras ameaças. No final de 2018 havia apenas cerca de 250 indivíduos vivos dessa espécie que ocorre apenas nas frias águas do atlântico norte.  Seus números vêm diminuindo ano após ano, com uma queda de 15% de sua população desde 2011. As principais causas desse declínio são frutos da atividade humana com 30 baleias mortas por enroscamento em redes e colisões com barcos entre 2012 e 2016. Além disso, o aquecimento global tem empurrado as presas dessas baleias mais ao norte durante o verão, expondo mais ainda esses animais a águas movimentadas, tornando o risco de colisão com barcos ainda maior.

Entretanto, o leitor deve estar pensando “triste, mas, como isso me afeta?” – Bem, de várias formas. A natureza em que vivemos é um intrincado mecanismo. Cada espécie nesse pequeno planetinha azul desempenha um papel único, como uma engrenagem, mantendo a grande máquina da natureza em marcha. Cada vez que perdemos uma dessas engrenagens o mecanismo torna-se mais fraco, até por fim, não ter peças para continuar. Nós, humanos, dependemos da máquina da natureza”  gerar o básico: chuva, água potável e comida. Por isso temos que voltar todos os nossos esforços, como fazem a IUCN e várias outras ONGS, para proteger as espécies, engrenagens que garantem nossa vida nesse planeta.

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Referência

https://www.iucn.org/news/species/202007/almost-a-third-lemurs-and-north-atlantic-right-whale-now-critically-endangered-iucn-red-list

2 Replies to “Notícias do Front: Biodiversidade sob cerco I”

  1. Obrigada pelo texto, Gabriel!!! A extinção de espécies na velocidade que está ocorrendo é totalmente assustadora. Foi bom conhecer novos bichos pelo seu texto! Espero que o projeto da IUCN busque mais catalogar as plantas ameaçadas.

  2. Excelente artigo! É sempre importante evidenciar como funciona a natureza e desmitificar a imutabilidade dela. A natureza auto regula muitas crises em um contexto micro, mas há muitos momentos de descontroles praticamente irreversíveis.

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