O que depoimentos de mulheres indígenas revelam sobre força feminina

“O que significa ser mulher pra você?“ Ouvimos diversas mulheres indígenas, falando de contextos bem distintos, mas as similaridades dessas falas chamaram atenção do Time da Meli, como a Carol aborda no texto abaixo.

Autora: Ana Carolina Cavalcanti
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No Dia Internacional das Mulheres, partimos de um gesto simples: ouvir.

A partir da pergunta “o que significa ser mulher para você?”, convidamos lideranças da nossa rede a compartilhar sentidos. As respostas deram origem ao post Uma rede construída por mulheres potentes.

Entre diferentes trajetórias, apareceu algo em comum: a ideia de força e de cuidado.

Ao final do mês das mulheres, voltamos a esses depoimentos para entender o que essa repetição revela.

Os depoimentos falam de uma força que vem de experiências concretas:

“Ser forte mesmo diante das dificuldades, sofrimentos, dores e desafios.”

Cruwakwyj (Povo Krahô, Brasil)

“Ser assertiva, apesar das tristezas, procuramos soluções. Ser mulher é buscar soluções para o bem estar de todos e todas.”

Karla (Xochimilco, México)

“É o cuidado, e não permitir-se abalar, sempre pensando: amanhã mais um dia. E mesmo que não chegue esse amanhã, ainda assim perseverar.”

Cacica Joana (povo Kokama, Brasil)

Mesmo em territórios e contextos distintos, aparece uma mesma ideia: é preciso seguir, responder, sustentar. A si, aos outros, ao coletivo. Aqui, força não é “apenas” resistência, é também ação diante de condições que nem sempre permitem escolha.

O cuidado aparece junto a essa força, como parte dela.

Cuidar, nesses relatos, é manter a continuidade.
É insistir no dia seguinte, mesmo quando ele é incerto. 

Quando essa ideia se repete em diferentes vozes, ela, por óbvio, fura a esfera individual. 

Os depoimentos não falam só sobre quem essas mulheres são. Eles mostram algo que atravessa o “ser mulher” em diferentes contextos e essa repetição aponta para condições que se reproduzem.

Apenas celebrar a força não basta.

No Brasil, os índices de violência contra mulheres seguem altos. No caso de mulheres indígenas, essa realidade se soma a outras formas de violência e invisibilização.

É preciso ir além da valorização da força. É preciso perguntar o que sustenta essa exigência constante de resistência.

Os relatos podem ser lidos como inspiração, mas também como alerta.Talvez o principal convite seja esse:
Reconhecer a força, sem deixar de questionar por que ela é necessária e o que precisa mudar para que viver não dependa dela o tempo todo.

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