Você conhece as Comunidades Remanescentes de Quilombos?

Um pouco sobre as comunidades que tem Resistência como a base de sua história.

Autora: Ana Rosa

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A Amazônia brasileira é habitada por cerca de 30 milhões de pessoas, dentre elas quase 1 milhão de Quilombolas. Dentro dessa rica diversidade de comunidades tradicionais, as comunidades Remanescentes de Quilombos, ou Quilombolas, merecem especial destaque no contexto histórico brasileiro. Elas foram formadas por descendentes de africanos raptados e escravizados que conseguiram fugir e estabelecer seus próprios assentamentos autônomos, por todo interior do Brasil, inclusive na região amazônica.

A palavra é originada de idiomas falados pelo povo Bantu, que habitam a região de Angola, mas apenas no Brasil ganhou o sentido de comunidades tradicionais autônomas. Algumas das comunidades quilombolas, mesmo já tendo sido certificadas como tais pelo governo brasileiro, preferem se auto definir de outras formas, como: terras de preto, terras de santo, comunidade negra rural ou, ainda, pelo nome da própria comunidade (Gorutubanos, Kalunga, Negros do Riacho, etc.).

Essas comunidades foram um ponto chave para a preservação da cultura relacionada à diáspora africana no Brasil e até hoje representam fortes pontos de resistência e luta por direitos. Por terem tido a necessidade de se adaptar a regiões de difícil acesso e por vezes hostis, esses grupos têm grande conexão com o meio-ambiente que os cerca – sendo a Amazônia fundamental para o modo de vida dessas e de outras comunidades tradicionais, todas elas interagindo fortemente entre si.

Nesse contexto, as atuais atividades da Meli estão focadas em dois estados no Norte e Nordeste brasileiros, que coincidem estar entre os quatro estados com maior número de quilombos registrados no Brasil: Maranhão (846) e Pará (264), de um total de 3.467 comunidades mapeadas pela Fundação Cultural Palmares, do governo federal. É importante lembrar que ainda há um grande número de comunidades a serem mapeadas, existindo fontes que afirmam que o número de comunidades remanescentes pode chegar a cinco mil.

Apesar da grande maioria de comunidades quilombolas se encontrarem na zona rural, também existem quilombos em áreas urbanas e periurbanas. Algumas dessas comunidades inclusive estiveram presentes no nascimento de cidades, como no caso do atual bairro Cabelo Seco, na cidade de Marabá, no Pará.

Se faz necessário reconhecer a realidade complexa e diversa dessas comunidades, valorizar a memória das mesmas e reconhecer a dívida histórica que o Estado brasileiro tem para com a população negra.

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