Reflexões sobre a primeira Oficina Multi-Comunidades da Meli

Diversos membros da Rede Meli se encontraram entre os dias 27 e 31 de Julho na comunidade Frei Henri para aprender mais sobre agricultura regenerativa, na teoria e na prática!

Autora: Ana Rosa
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Esta foi nossa primeira oficina multi-comunidades! Diferentes comunidades reunidas com um único objetivo: aprender sobre a agricultura regenerativa. Este momento foi muito especial para nossa rede, particularmente porque os membros da Rede Meli de comunidades que têm trabalhado juntos nos últimos meses, ou mesmo mais de um ano, se encontraram face a face pela primeira vez!

A oficina reforça ainda mais nosso objetivo de construir um “Arco de Regeneração” no sudeste do Pará e no Maranhão. Esta região que sofreu historicamente – e ainda sofre – com a entrada de práticas insustentáveis, muitas vezes ilegais, relacionadas a crimes contra os direitos humanos e contra a natureza.

Empenhados em mudar a realidade local, mais de 50 pessoas de comunidades indígenas, quilombolas e camponesas se inscreveram para participar deste evento (todas as vagas!). A segurança frente ao Covid inpediu algumas pessoas de participarem, mas o evento teve um grande e ativo número de participantes engajados para aprender sobre agricultura regenerativa!

A viagem começou muito antes do início da oficina. Para alguns, ela começou com uma excitante mas exaustiva viagem de ônibus por mais de 12 horas (sim, para o estado vizinho!). Para outros, houveram muitas etapas de preparação para receber velhos e novos amigos em sua casa, a Comunidade Frei Henri.

O interesse em participar desta oficina e contribuir com o grupo, independentemente dos desafios enfrentados, mostra como eles estão ansiosos para aprender sobre agricultura regenerativa e ser ativos nas práticas regenerativas. Ao ver isso, eu destaquei duas conclusões:

(1) As comunidades querem aprender mais sobre a agricultura regenerativa e se preparar para colocar esse conhecimento em prática

O uso de culturas que primeiro fornecerão renda com uma perspectiva de médio/longo prazo é difícil quando o tempo e a energia são necessários para garantir o sustento no presente momento. No entanto, os participantes foram guiados pelo impacto ambiental positivo do seu trabalho.

Por que considero importante destacar este ponto? Porque é isso que permite que a agricultura regenerativa de base comunitária alcance grandes impactos positivos.

Esse é o antídoto para as desigualdades que a mentalidade de “negócios de costume” transmite, que infelizmente está sendo replicada por alguns atores no cenário da agricultura regenerativa.

Nossa perspectiva na Meli é que uma atividade totalmente regenerativa precisa produzir impactos positivos em diferentes perspectivas, incluindo a social, com comunidades de base capacitadas liderando o trabalho.

Não precisamos trabalhar com grandes proprietários de terras para produzir impacto. Precisamos engajar várias comunidades para alcançar um impacto grande e totalmente positivo.

O grande interesse na oficina mostra o grande interesse pelo tema, o que leva a oficina com participantes curiosos e engajados, que vão colocar em prática as atividades regenerativas que aprenderam.

Mas para promover um espaço onde os interesses possam ser compartilhados, as comunidades devem estar engajadas. Aí vem, minha segunda conclusão:

(2) Redes de Impacto são Cruciais

Mais uma vez, o grande potencial da cooperação é demonstrado em uma atividade promovida pela Meli. Este tópico precisa de um texto para si, com outras observações que tive durante a experiência da vida jovem, mas intensa, da Meli. Mas ele não podia faltar aqui.

Como uma Rede, o primeiro pilar da Meli é construir uma relação de confiança com as comunidades, compreendendo seu contexto, escutando suas histórias e seus sonhos.

Um ambiente baseado no relacionamento entre as pessoas dá espaço para os membros iniciarem amizades uns com os outros já por meio de conexões on-line – e elas florescem ainda mais durante eventos presenciais!

Isso pode ser visto em como os participantes da oficina colaboraram para construir uma oficina ainda mais bonita!

Como os participantes são também os guardiões da floresta, ativos na proteção da biodiversidade local, eles puderam trazer sementes da biodiversidade nativa da região, que foram utilizadas durante a oficina. Este intercâmbio foi realmente impressionante e mostrou como eles, juntos, podem potencializar o trabalho um do outro.

Isso nos leva de volta à única maneira possível de desenvolver práticas regenerativas: acontecer com base comunitária!


Exemplos deste intercâmbio já estão reservados para continuar meses após a oficina. As comunidades já estão programando a próxima visita, para compartilhar outras sementes importantes para a agricultura regenerativa local quando o período delas chegar!

Os impactos da produção de alimentos na terra rapidamente chegam aos pratos! Cozinhar e comer juntos é sempre a experiência mais alegre quando se sabe estar comendo alimentos de verdade, saudáveis para o meio ambiente, para o produtor e para o consumidor.

Logo após a oficina, nos reunimos online para refletir sobre alguns valores que devem sempre mover nosso trabalho, particularmente durante tais atividades.

Alguns dos valores destacados:
(1) respeitamos a diversidade dos saberes,
(2) valorizamos as discussões honestas,
(3) somos contra qualquer preconceito,
(4) respeitamos a cultura alimentar.

Vamos celebrar a comida de verdade, (re)conectar-nos com nossa cultura alimentar e com sua beleza!

Essa atividade foi desenvolvida em conjunto com o professor Luciney Cabano e o apoio da CPT (Comissão Pastoral da Terra).

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www.meli-bees.org

3 Replies to “Reflexões sobre a primeira Oficina Multi-Comunidades da Meli”

  1. Participar da Oficina Agricultura Sintropica foi muito boa, fomentar o cuidado com o solo, com a terra mãe natureza bem pertinente, uma nova visão regenerativa de salvar nossas florestas com produtividade de alimentos saudáveis , trás uma questão muito importante que é a Soberania Alimentar, a Solidariedade, a troca de experiências e saberes da terra por diversos sujeitos do campo e da cidade, bem como de movimentos sociais, universidade, meli, cpt acampamento e assentamentos , no sentido de cultivarmos nossa pertença a terra e os valores dos povos amazoninos e demais territórios. Foi ímpar e precisamos ter mais oficinais.

    1. Que lindo ler seu comentário por aqui seu Tevaldo!! Fico muito feliz em saber que você também gostou de participar da oficina!!
      Realmente, precisamos de ainda mais oficinas!

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