Uma região em transição: A Amazônia do Nordeste

A capital do Maranhão, a região mais ao leste da Amazônia, é um local de cultura vibrante e rica que vale a pena conhecer. Vamos começar o #MeliEmCasa apresentando um pedacinho desse patrimônio cultural da humanidade.

Autora: Ana Rosa de Lima

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Minha relação com o Maranhão começou com sua capital, São Luís, desde a minha infância, nos anos 90. Eu nunca morei na cidade, mas sempre fui visitar os parentes que moravam lá. Ir a São Luís sempre foi, pra mim, visitar um local de cultura vibrante e grande riqueza histórica e natural. Afinal, a cidade é conhecida como ilha do amor, lar do vibrante bumba-meu-boi, capital brasileira do reggae, porta de entrada para os lençóis maranhenses e um local recheado de prédios históricos que, desde 1997, colocou a cidade na posição entre os lugares do mundo considerados como patrimônio cultural da humanidade pela UNESCO.

Meu gosto pela dança facilitou minha conexão com ritmos locais, como o tambor de crioula, que minha avó me ensinou a dançar. Aqui foi a minha primeira experiência com ritmos da Amazônia, complexos, com influências da diáspora africana e das comunidades indígena e que sincronizam grandes grupos em uma só conexão.

Mas o que mais fez sentido para mim ao visitar o Maranhão foi a identidade do local. Eu morava no litoral do Piauí, mas nunca consegui me identificar completamente com a ideia de “nordeste” que era passada pela mídia produzida pelo sudeste. Foi no Maranhão que eu descobri que morava no “Meio-Norte” – uma grande descoberta para minha cabeça infantil. Essa sub-região do nordeste inclui exatamente esses dois estados: Maranhão e Piauí. A união entre a carnaúba parnaibana e o coco babaçu maranhense retratava muito bem a minha realidade. Uma área de transição, um nordeste mais próximo da realidade Amazônica e em parte dentro da Amazônia legal.

Mas algumas das frutas que eu tinha grande acesso no Maranhão eram bem especiais. Bacuri era a minha fruta pura favorita. Já o creme de cupú da minha avó era o produto dessa fartura que mais me deixava com saudades durante o período das aulas. Eu lembro que ela tomava juçara (parente do açaí), mas não era “para criança”, acho que até hoje ainda não provei essa iguaria.

Nessa época eu não tinha uma visão clara sobre as questões sociais, São Luís simplesmente era uma “cidade grande”, repleta de cores e sabores. E essa é uma boa primeira perspectiva, que podemos ter até quando só estamos de passagem. Nas próximas semanas vamos, devagarzinho, conhecer a região um pouco mais profundamente.

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3 Replies to “Uma região em transição: A Amazônia do Nordeste”

  1. Realmente é um espetáculo de cores, danças e sabores. O sotaque, a hospitalidade e as belezas são inesquecíveis . São Luis têm um ritmo até na forma de falar. Eu morei pouco tempo, mas o suficiente para amar eternamente.

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